Lá fora chovia sem parar, e o Vasco decidiu que a sala ia ser uma cidade.
Com caixas de cartão, livros e almofadas, construiu casas, pontes e uma praça no meio do tapete. Entre duas caixas muito juntas ficou uma rua tão estreita que mal cabia lá um dedo.
— Esta é a Rua do Gato — anunciou. — Ao fundo mora a senhora Rosa, com o gato dela.
O Tiago, o irmão mais velho, recortou um gato de papel e pousou-o à porta da última casa. Depois recortou também uma tira de papel vermelho e encostou-a à janela.
— Fogo de faz de conta na Rua do Gato! — avisou. — É preciso chamar os bombeiros.
O Vasco correu ao quarto e voltou com o seu bombeiro Playmobil e a moto-quatro vermelha. Pôs-lhe o capacete na cabeça e as luvas nas mãos, uma de cada vez, com muito cuidado.
— E o machado? — perguntou o Tiago.
— Vai guardado no compartimento — respondeu o Vasco, e encaixou-o no seu lugar na moto-quatro. — Um bombeiro arrumado chega mais depressa.
Primeiro, o Vasco tentou levar o camião que tinha feito com uma caixa de sapatos. Empurrou-o até à entrada da Rua do Gato, mas o camião bateu nas duas caixas e não passou.
— É grande demais — suspirou.
O Tiago apontou para a moto-quatro.
— E aquela? É pequenina.
O Vasco sorriu. Sabia o truque daquela moto-quatro: era só empurrá-la pelo chão, para trás e para a frente, ouvir o motor de fricção ganhar força e depois largar.
Rrrr, rrrr, rrrr. Largou.
A moto-quatro disparou pelo tapete, mas ia torta. Passou ao lado da Rua do Gato e foi bater numa casa de livros, que caiu devagarinho.
— Ups! — riu-se o Vasco. — O bombeiro tinha tanta pressa que se esqueceu de olhar para o caminho.
Voltou a pôr os livros de pé. Desta vez, deitou-se no chão, com o queixo no tapete, e alinhou as rodas da frente com a entrada da rua estreita.
— Com força, mas a direito — disse baixinho.
Rrrr, rrrr. Largou.
A moto-quatro atravessou a praça, entrou na Rua do Gato sem tocar em nenhuma caixa e foi parar mesmo em frente à casa da senhora Rosa.
— Chegou! — gritaram os dois ao mesmo tempo.
O Vasco pegou no bombeiro e deu-lhe uma voz grossa:
— Calma, senhora Rosa, já estou aqui!
Tirou o machado do compartimento e, com a mão do bombeiro, abriu de faz de conta a porta de cartão que estava emperrada. Lá dentro, o Tiago tinha escondido o gato de papel.
— Gato salvo! — anunciou o Vasco, e pousou-o ao colo do bombeiro.
O Tiago dobrou a tira vermelha e guardou-a no bolso.
— O fogo de faz de conta acabou — disse. — E o fogo a sério é só para os bombeiros a sério.
O Vasco concordou com a cabeça. Depois arrumou o machado outra vez no compartimento, porque era assim que se fazia no fim de cada missão.
A mãe espreitou da porta da sala e viu a cidade de cartão, o gato de papel e um bombeiro muito orgulhoso em cima da sua moto-quatro.
— Então, o que aconteceu aqui?
— Uma rua estreita demais para o camião — explicou o Vasco. — Mas não para a moto-quatro.
E, enquanto a chuva continuava a cair, o Tiago já estava a recortar uma nova rua, ainda mais apertada, para a próxima missão.
3 ideias de brincadeiras
A rua mais estreita. Construam uma cidade com caixas e livros e deixem uma rua apertada; a criança tenta levar a moto-quatro até ao fim sem tocar nas paredes.
Força e pontaria. Antes de largar a moto-quatro, a criança escolhe um destino no chão e experimenta empurrá-la mais ou menos vezes, como o Vasco, até acertar no sítio certo.
Missão arrumada. No início de cada missão, o bombeiro veste o capacete e as luvas e guarda o machado no compartimento; no fim, a criança volta a arrumar tudo antes de inventar o salvamento seguinte.
Produto em destaque
O Playmobil 71090 Bombeiros Speed Quad inclui um bombeiro, uma moto-quatro com motor de fricção, capacete, luvas e um machado que se guarda no compartimento do veículo. É pequena e fácil de manobrar, tal como a moto-quatro que chegou à Rua do Gato quando o camião não cabia.