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A Curva que Só os Dois Conseguiam Vencer

Numa pista de terra onde todos querem chegar primeiro, dois pequenos carros descobrem que a curva mais difícil só pode ser vencida quando ninguém fica para trás.
Dois carros de corrida, com os números 51 e 41, afastam juntos uma tábua de uma pista de terra junto a um moinho.

Na oficina do avô Duarte havia uma prateleira baixa onde moravam dois carros de corrida.

Um era azul, trazia o número 51 e conhecia tantos truques de pista que parecia ouvir o chão antes de as rodas lhe tocarem. Chamava-se Hudson. O outro usava o número 41, tinha um ar decidido e treinava todas as tardes para fazer a curva mais rápida de sempre. Chamava-se Clovis.

Durante o dia, ficavam quietos ao lado das caixas de ferramentas. Mas, quando a última luz se apagava e o relógio da parede marcava nove badaladas, as miniaturas espreguiçavam as rodas.

— Hoje é a noite — anunciou Clovis. — Vou bater o recorde da Curva do Moinho.

Hudson olhou para a janela. O vento soprava com força e levantava pequenas folhas no quintal.

— Com este vento, a pista de terra estará diferente — avisou. — Convém conhecê-la antes de acelerar.

— Uma curva é uma curva — respondeu Clovis. — Basta entrar depressa e sair ainda mais depressa.

Hudson sorriu. Já tinha ouvido aquela frase muitas vezes, quase sempre antes de alguém acabar dentro de um monte de palha.

Os dois desceram da prateleira por uma rampa feita com uma régua e atravessaram a oficina. Junto à porta, esperava-os a Pista do Quintal: uma estrada de terra que dava a volta ao limoeiro, passava por baixo do banco de madeira e terminava ao lado de um velho moinho de brincar.

A Curva do Moinho ficava mesmo no fim. Era apertada, inclinada e coberta de pó fino. Quem entrasse depressa demais deslizava. Quem travasse demasiado cedo perdia todo o balanço.

Clovis alinhou-se na partida.

— Três, dois, um… já!

As rodas arrancaram, a terra levantou-se e Clovis desapareceu atrás do limoeiro. Passou velozmente pelo banco, saltou uma pequena raiz e chegou à Curva do Moinho com o motor cheio de coragem.

Virou.

Deslizou.

E ficou preso num montinho de folhas secas.

Hudson aproximou-se devagar.

— Estás bem?

— Estou — respondeu Clovis, sacudindo uma folha do tejadilho. — Só preciso de tentar outra vez.

Na segunda tentativa, entrou ainda mais depressa. Na terceira, travou com tanta força que ficou parado a meio da curva. Na quarta, escolheu um caminho diferente, mas uma pedra pequenina desviou-lhe uma roda.

Clovis regressou à partida sem dizer nada.

Hudson colocou-se ao lado dele.

— Queres experimentar ouvir a pista?

— A terra não fala.

— Fala com marcas. Olha.

Hudson avançou lentamente pelo percurso. Mostrou-lhe uma zona onde a terra estava mais escura e firme, um risco deixado por uma roda junto ao banco e duas pedrinhas que o vento empurrara para a entrada da curva.

— A pista muda todas as noites — explicou. — Hoje, o melhor caminho não é o de ontem.

Clovis observou com atenção. Pela primeira vez, reparou que a Curva do Moinho parecia ter dois caminhos: um por dentro, curto mas escorregadio, e outro por fora, mais comprido e seguro.

— Então sigo por fora — decidiu.

Voltaram à partida. Desta vez, Clovis acelerou com cuidado, passou a raiz sem saltar e aproximou-se da curva pelo caminho exterior.

Estava quase a conseguir quando uma rajada atravessou o quintal.

O moinho rodou tão depressa que uma das suas pequenas tábuas se soltou e caiu no meio da pista.

Clovis travou a tempo.

— A passagem ficou bloqueada!

Hudson tentou empurrar a tábua, mas ela era pesada demais para um carro sozinho.

Do outro lado, começaram a ouvir-se sons aflitos. Três carrinhos mais pequenos tinham saído para um passeio noturno e agora não conseguiam regressar à oficina.

— Temos de abrir caminho — disse Hudson.

Clovis encostou o para-choques à tábua.

— Empurramos juntos.

As rodas dos dois giraram sobre a terra. A tábua mexeu um bocadinho, mas voltou ao lugar.

— Outra vez — pediu Hudson. — Ao mesmo tempo.

Contaram até três. O número 51 empurrou de um lado, o número 41 do outro. A tábua deslizou alguns centímetros.

Os carrinhos pequenos aplaudiram.

— Falta pouco! — gritou um deles.

Hudson olhou para a inclinação da curva.

— Se aproveitarmos o declive, ganhamos força. Precisamos de recuar até à marca escura e arrancar lado a lado.

Clovis percebeu logo. Não era uma corrida um contra o outro. Era uma corrida dos dois contra o obstáculo.

Recuaram, alinharam as rodas e respiraram fundo.

— Três, dois, um… juntos!

Desceram pela faixa de terra firme. Hudson manteve a direção. Clovis ajustou a velocidade para não se adiantar. Chegaram à tábua no mesmo instante.

Toc!

A madeira rodou para fora da pista e abriu uma passagem perfeita.

Os três carrinhos atravessaram, contentes, e seguiram para a oficina. O último parou junto de Clovis.

— Foi a melhor manobra que já vi.

Clovis olhou para Hudson.

— Mas não batemos o recorde da curva.

Hudson apontou para duas linhas paralelas que as rodas tinham desenhado na terra.

— Talvez tenhamos criado outro recorde.

Clovis observou as marcas. Começavam lado a lado, contornavam a curva e terminavam exatamente onde a pista tinha ficado livre.

— O primeiro recorde de uma corrida em que ninguém ficou para trás — disse ele.

Antes de regressarem, deram uma última volta. Desta vez não houve cronómetro nem linha de chegada. Clovis seguiu à frente na reta e abrandou junto à raiz. Hudson mostrou-lhe o ponto certo para entrar na curva. Depois trocaram de posição.

Quando chegaram à oficina, subiram pela régua e estacionaram na prateleira.

Na manhã seguinte, o neto do avô Duarte encontrou os dois carros cobertos por uma camada fininha de pó. Reparou também em duas marcas paralelas no quintal, junto ao moinho.

— Avô, parece que fizeram uma corrida durante a noite.

O avô Duarte espreitou pela janela e sorriu.

— Ou talvez tenham descoberto que há curvas que só se vencem em equipa.

Na prateleira, o número 51 e o número 41 ficaram muito quietos.

Mas as suas rodas estavam encostadas, como dois amigos prontos para a próxima partida.

3 ideias de brincadeiras

Constrói a Curva do Moinho. Cria uma pista segura no chão com fita de papel, almofadas ou blocos. Acrescenta uma curva larga e outra apertada e experimenta diferentes maneiras de fazer os carros passar.

Corrida em equipa. Em vez de escolher um vencedor, inventa uma missão para os dois carros: transportar uma pequena peça, abrir uma passagem ou ajudar outros brinquedos a chegar à meta.

Detetives de pistas. Faz marcas no percurso com setas, cores ou pequenos objetos. Antes de arrancar, observa tudo e decide onde acelerar, abrandar ou mudar de direção.

Produto em destaque

O Cars Disney – Dirt Track Fabulous Hudson Hornet e Clovis Rider reúne duas miniaturas em metal, à escala 1:55, com rodas livres e detalhes inspirados nas corridas clássicas do universo Disney•Pixar. Um conjunto pensado para recriar duelos na pista e inventar novas aventuras em equipa.

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