O Jardim que Aprendeu as Cores

Num jardim muito calado, uma criança descobre que os números também podem abrir caminhos de cor, amizade e imaginação.


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Criança a colorir um jardim mágico de arco-íris com flores e pequenos insetos curiosos.

Naquela manhã, o jardim da casa da avó estava diferente.

Não estava triste. Também não estava zangado. Estava só muito, muito calado.

As margaridas tinham as pétalas todas brancas, as folhas pareciam ter esquecido o verde e até a borboleta mais vaidosa voava devagar, como se procurasse uma ideia no ar.

A Inês sentou-se na manta junto ao canteiro e abriu o seu livro de colorir.

Era um livro pequeno, daqueles que cabem bem numa mochila, com páginas cheias de flores, folhas, caracóis, borboletas e desenhos com números escondidos.

Ao lado, a Inês pôs os lápis de cor em fila.

O amarelo espreguiçou-se.

O azul rolou um bocadinho.

O verde ficou muito direito, como quem sabia que ia trabalhar bastante.

Na primeira página havia uma flor grande com muitos números: 1 nas pétalas, 2 no centro, 3 nas folhas.

A Inês olhou para a chave de cores.

Um era amarelo. Dois era laranja. Três era verde.

Começou devagar, sem pressa. Pintou uma pétala, depois outra, depois outra.

Quando acabou a última pétala amarela, ouviu-se um som pequenino:

Plim.

A Inês parou.

Do meio da página subiu uma gotinha de luz amarela. A gotinha saltou para fora do livro e caiu mesmo junto a uma margarida do jardim.

A margarida abriu os olhos, que eram dois pontinhos redondos de orvalho.

- Oh! - disse ela. - Lembrei-me do sol.

E as suas pétalas ficaram amarelas nas pontas.

A Inês piscou os olhos. Depois sorriu.

- Então és tu que precisas de cores?

A margarida abanou-se com cuidado.

- Nós temos as cores cá dentro, mas hoje estão todas baralhadas.

A borboleta pousou na borda do livro.

- Talvez os números saibam o caminho.

A Inês passou para a folha seguinte. Havia um caracol desenhado com uma casa às riscas. Os números davam voltas e voltas, como uma escada em espiral.

Quatro era rosa. Cinco era azul. Seis era verde-claro.

A Inês pintou a casinha do caracol com paciência.

Não saiu tudo perfeito, mas isso não fazia mal. O livro parecia gostar das cores corajosas, mesmo quando fugiam um bocadinho da linha.

Plim. Plim.

Duas gotinhas saltaram da página.

Uma ficou rosa no nariz de uma flor pequenina.

A outra caiu no casco de um caracol verdadeiro, que vinha a atravessar a terra muito devagar.

- Obrigado - disse o caracol. - Agora já sei para onde ia.

- Para onde? - perguntou a Inês.

- Para o sítio onde começa o arco-íris.

A Inês olhou em volta. Não havia arco-íris nenhum. Havia céu azul, vasos molhados e uma cadeira de jardim com uma almofada às bolinhas.

- E onde é esse sítio?

O caracol apontou com uma antena para o livro.

- Talvez esteja aí dentro.

A Inês virou mais uma página.

Desta vez, encontrou um desenho maior: um caminho de pedras redondas, flores altas, três joaninhas e uma ponte muito fininha por cima de um riacho.

Na página, cada pedrinha tinha um número.

Sete era vermelho. Oito era azul. Nove era roxo.

- Isto é muito para pintar - disse a Inês.

A borboleta bateu as asas.

- Então fazemos por bocadinhos.

A margarida inclinou-se.

- Uma cor de cada vez.

O caracol sorriu.

- E uma pedra de cada vez.

A Inês pegou no lápis vermelho e pintou todos os setes. Depois pegou no azul e pintou os oitos. Quando chegou ao roxo, respirou fundo e continuou.

Enquanto pintava, reparou que os números não mandavam nela. Ajudavam-na.

E as cores não tinham pressa de chegar. Vinham quando a mão estava pronta.

Quando terminou a última pedrinha roxa, o livro brilhou como uma janela ao sol.

Plim, plim, plim!

As gotinhas saíram todas juntas, saltaram pela manta, passaram entre os lápis e fizeram uma fila no chão do jardim.

Amarelo, laranja, verde, rosa, azul, vermelho e roxo.

As gotinhas juntaram-se no ar e desenharam um arco-íris baixinho, tão pequeno que cabia entre dois vasos de manjericão.

Do outro lado do arco-íris havia um botão de flor fechado.

Era pequenino e cinzento.

- Falta ele - sussurrou a borboleta.

A Inês procurou no livro. Na última página havia um botão de flor igualzinho, mas sem números. Só tinha um pontinho no meio.

- Este não diz que cor devo usar.

O jardim ficou à espera.

A Inês olhou para os lápis. Gostava do amarelo. Gostava do azul. Gostava do verde e do rosa. Gostava até do roxo, que parecia uma noite simpática.

Então teve uma ideia.

Pintou o botão com uma cor de cada vez.

Um bocadinho amarelo para se lembrar do sol.

Um bocadinho azul para guardar o céu.

Um bocadinho verde para conversar com as folhas.

Um bocadinho rosa para sorrir às borboletas.

E uma pintinha roxa no centro, só porque sim.

Durante um instante, nada aconteceu.

Depois, o botão verdadeiro abriu-se.

Não era uma flor grande. Era simples e redonda, com pétalas de muitas cores.

- Sou uma flor de escolha própria - disse ela, muito contente.

A Inês riu-se baixinho.

- Então o jardim também pode inventar?

- Claro - respondeu a flor. - Primeiro aprendemos os caminhos. Depois podemos dançar neles.

A avó apareceu à porta com duas fatias de pão e um copo de sumo.

- Que jardim tão bonito temos hoje!

A Inês fechou o livro com cuidado, mas deixou um lápis verde em cima, para o caso de alguma folha se esquecer outra vez.

- Foi o jardim que aprendeu as cores - disse ela.

A avó sentou-se ao seu lado.

- E tu?

A Inês olhou para as mãos manchadas de amarelo, azul e rosa.

- Eu aprendi que os números podem ser caminhos. Mas a imaginação sabe fazer atalhos.

Nesse momento, a borboleta pousou na última flor colorida.

O caracol continuou a sua viagem, muito devagar, agora com a casa às riscas a brilhar.

E o arco-íris pequenino ficou no jardim até ao fim da tarde, só para lembrar que uma página pintada com calma pode abrir uma porta enorme.

3 ideias de brincadeiras

Caça às cores. Escolham três cores do livro e procurem pela casa ou pelo jardim objetos que tenham essas mesmas cores.

Números escondidos. Desenhem flores simples numa folha e escrevam números dentro das pétalas, criando uma pequena chave de cores para pintar em família.

Jardim inventado. Depois de colorir uma página, imaginem que cada flor ou inseto tem uma voz e contem uma aventura curta sobre o que aconteceu ali.

Produto em destaque

O Livro de Colorir - Jardim do Arco-íris inspira momentos calmos de criatividade, com desenhos numerados que ajudam a descobrir cores, números e pequenos detalhes do jardim.

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