A Caixa dos Miminhos

Quando uma pequena caixa começa a ronronar baixinho, a Inês descobre um gatinho especial e uma forma nova de cuidar com imaginação.

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Criança encontra um gatinho de peluche numa caixa luminosa num quarto acolhedor.

A Inês encontrou a caixa numa tarde em que a chuva fazia desenhos na janela.

Não era uma caixa grande. Também não era uma caixa brilhante. Era uma caixa pequena, com cantos redondos e três estrelinhas desenhadas por cima, como se alguém as tivesse colado ali para ela não se sentir sozinha.

A Inês aproximou-se devagar.

De dentro da caixa veio um som muito baixinho.

— Mrrr?

A Inês abriu muito os olhos.

— Avó, a caixa falou?

A avó riu-se, sem levantar os olhos da meia que estava a tricotar.

— Talvez esteja a pedir cuidado.

A Inês sentou-se no tapete redondo da sala e pousou a caixa à sua frente. Primeiro bateu com dois dedos, muito ao de leve.

Toc, toc.

Lá dentro ouviu-se outro som.

— Miau.

Desta vez não havia dúvida. Era um miau pequenino, do tamanho de uma migalha de bolo.

A Inês levantou a tampa.

Lá dentro estava um gatinho de peluche, fofinho como uma nuvem que tivesse aprendido a dormir. Tinha patinhas redondas, olhos doces e um ar de quem acabara de chegar de uma viagem comprida dentro de um sonho.

— Olá — disse a Inês. — Eu sou a Inês. Tu és quem?

O gatinho abanou-se um bocadinho, como se a pergunta lhe tivesse feito cócegas.

— Miau.

— Então vais chamar-te Mimo.

O Mimo ficou muito quieto. Depois encostou a cabeça à mão da Inês.

A avó espreitou por cima dos óculos.

— Parece-me um nome muito bem escolhido.

Lá fora, a chuva continuava. Ping, ping, ping. Dentro de casa, a Inês decidiu que o Mimo precisava de uma visita guiada.

Mostrou-lhe a almofada amarela, que era uma ilha quando o chão se transformava em mar. Mostrou-lhe a manta azul, que servia de céu quando as cadeiras viravam montanhas. Mostrou-lhe ainda a prateleira dos livros, onde moravam dragões simpáticos, barcos de papel e uma meia perdida que ninguém sabia explicar.

O Mimo ouvia tudo com muita atenção.

Quando chegaram ao canto da janela, a Inês reparou numa coisa: havia uma gotinha de chuva presa no vidro, sozinha no meio das outras.

— Coitadinha — murmurou. — Parece perdida.

O Mimo fez um miau tão suave que parecia uma ideia.

A Inês percebeu logo.

— Já sei! Vamos fazer uma casa para coisas pequenas que se sentem perdidas.

Foi buscar uma folha de papel, três lápis de cor e uma fita. Desenhou uma porta pequenina, uma janela redonda e um tapete com riscas. A avó ajudou a dobrar o papel, e a Inês colou tudo na caixa.

Agora a caixa tinha uma casa na tampa.

— Esta é a Casa dos Miminhos — anunciou a Inês.

O Mimo sentou-se ao lado, muito direito, como guarda da porta.

A primeira coisa a entrar foi um botão azul que tinha caído da camisola da avó.

— Estava perdido — disse a Inês. — Agora fica aqui até voltar para casa.

Depois entrou uma pedrinha lisa, apanhada no parque num dia de sol.

— Esta não está perdida. Mas gosta de descansar.

Entrou também um papelinho com um desenho de peixe, porque a Inês achou que todos os gatos deviam ter um peixe amigo, mesmo que fosse só desenhado.

O Mimo cheirou o peixe de papel.

— Miau.

— Eu sabia que ias gostar.

À medida que a tarde crescia, a Casa dos Miminhos ficou cheia de tesouros pequenos: uma fita cor-de-rosa, uma folha seca em forma de coração, uma concha minúscula e uma estrela de cartão.

Mas faltava uma coisa.

A Inês olhou para o Mimo.

— Também precisas de um cantinho.

Dobrou a manta azul até fazer uma cama macia. Pôs a cama junto da caixa e colocou lá o gatinho com muito cuidado.

— Aqui podes dormir quando quiseres.

O Mimo fechou os olhos. Depois abriu um só, como quem não queria perder nada.

A avó apagou a luz grande e deixou aceso o candeeiro pequeno. A sala ficou dourada, quente e cheia de sombras redondas.

— Sabes, Inês — disse a avó — cuidar também é brincar. E brincar também pode ser cuidar.

A Inês pensou nisso. Fez festas no Mimo, devagarinho.

— Então amanhã cuidamos da lua, se ela estiver com frio.

O Mimo respondeu com o miau mais pequenino de todos.

Foi aí que a chuva parou.

Na janela, a gotinha perdida escorregou até encontrar as outras. A Inês sorriu.

— Vês, Mimo? Às vezes só é preciso uma casa, um nome e alguém que ouça.

O gatinho encostou-se à mão dela.

E, naquela sala pequenina, a Casa dos Miminhos ficou a guardar botões, pedrinhas, desenhos, silêncios e todos os miaus que ainda estavam por inventar.

3 ideias de brincadeiras

Casa dos Miminhos. A criança escolhe uma caixa pequena e transforma-a numa casinha para tesouros: botões, folhas, desenhos ou pedrinhas lisas. Depois inventa a história de cada objeto.

Consulta do gatinho. Com uma manta, uma escova macia e pequenos cartões desenhados, a criança cria uma rotina de cuidado para o gatinho: descanso, mimo, refeição imaginária e boa-noite.

Miaus secretos. Um adulto faz sons suaves de miau com emoções diferentes, como contente, ensonado ou curioso. A criança tenta adivinhar e responde com uma ação carinhosa.

Produto em destaque

O Pets Alive Smitten Kittens Série 2 inspirou esta história de descoberta, cuidado e pequenos tesouros. Um gatinho de peluche surpresa que entra naturalmente nas brincadeiras de faz-de-conta e nos momentos de ternura.

Ver produto: https://brincatoys.pt/products/pets-alive-smitten-kittens-serie-2